Infâncias ribeirinhas no contexto de brincares e praticas corporais nas marés de rios da Amazônia amapaense

Abstract

Esta dissertação tem foco nas infâncias ribeirinhas da Comunidade do Igarapé da Fortaleza, localizada na Amazônia Amapaense, região próxima à capital Macapá, no Estado do Amapá. Esse território se insere na floresta Amazônica brasileira, espaço de riqueza natural, diversidade de flora e fauna. Segundo os dados do IBGE (2010) a população infantil era de 1398 crianças e adolescentes entre zero e 14 anos. O objetivo principal da pesquisa é analisar as discursividades das crianças em situação de brincares e as práticas corporais das infâncias ribeirinhas nas marés do rio da comunidade do Igarapé da Fortaleza, na região da Amazônia amapaense. A pesquisa se fundamenta na no campo da Educação assumindo que as crianças são pessoas que vivenciam a infância nos brincares com a natureza e constroem culturas infantis no espaço da pesca artesanal, ao tomar banho de rio, nos estaleiros, no processo da fabricação de barcos brincando em cima dos barcos empinando pipas e pulando de cima desses barcos em construção nos estaleiros. O método do materialismo histórico-dialético, abordagem da pesquisa qualitativa, a técnica da observação participante e roda de conversa serviram para a geração dos dados e análise do conteúdo. Participaram 14 crianças com idades entre 09 e 12 anos, nascidas e moradoras da Comunidade do Igarapé da Fortaleza. Os resultados a priori revelam que as práticas corporais manifestadas nos brincares das crianças, são manter equilíbrio nas canoas, ao pular da ponte no rio, elas jogam o futebol praticado na beira do rio na vazante da maré, a queimada, a pira pega dentro e fora d’agua. Ainda, infere-se que as infâncias das crianças ribeirinhas estão intrinsecamente ligadas às suas práticas corporais e brincares, bem como às vivências infantis no universo ribeirinho. A pesquisa infere que os brincares nas marés desenvolvem muitas habilidades nas crianças como aprender a nadar nas águas sozinhas, coordenação motora grossa na agilidade ao brincar de pira pega saltando de cima dos barcos, sumindo e aparecendo para enganar o colega que está tentando lhe pegar. Elas socializam ao brincarem de futebol na vazante da maré e se equilibram nas pontes ao brincarem de lençinho. Elas desenvolvem a criatividade e socialização de aprendizados entre si e constroem relações afetivas. Tomam banho de rio, pulam das pontes, ficam amuadas quando perdem no jogo. Elas esperam ansiosamente, tanto as cheias da maré quanto a vazante, importa pular da ponte e dos barcos no rio e jogar o futebol. No futebol ou na queimada são muitas as habilidades das crianças, usam apelidos, caçoam uma das outras, choram, riem, brincam, se alegram com as conquistas e ficam com raiva quando perdem em algumas das atividades. No método apresento o diálogo com as categorias brincares e o trabalho como princípio educativo, práticas corporais e emancipação social das crianças

Description

Citation

DENIUR, José Rodrigo Sousa de Lima. Infâncias ribeirinhas no contexto de brincares e práticas corporais nas marés de rio na Amazônia amapaense. 2023. 71f. Dissertação (Mestrado ) - Universidade Federal do Pará, Campus Universitário de Bragança, PA, 2023.

Endorsement

Review

Supplemented By

Referenced By

Creative Commons license

Except where otherwised noted, this item's license is described as Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil