Distribuição de casos de Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) no estado do Amapá entre 2019 e 2023

Abstract

As Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) são um grupo de doenças infecciosas causadas por vírus, bactérias, parasitas ou toxinas, que afetam principalmente comunidades em situação de vulnerabilidade social, sendo prevalentes em regiões tropicais e subtropicais. Historicamente negligenciadas, essas doenças sempre receberam menos atenção e financiamento em comparação a outras enfermidades, apesar de seu impacto significativo na saúde pública. No Brasil, as DTNs mais comuns incluem hanseníase, esquistossomose, acidentes por animais peçonhentos, leishmaniose tegumentar, entre outras. Este estudo teve como objetivo analisar a distribuição de casos das DTNs no estado do Amapá no período de 2019 a 2023 por meio de consulta em bancos de dados públicos. Os dados para análise foram extraídos da base de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS) e tabulados pelo programa de Informações em Saúde (TABNET). Dentre as DTNs, foram escolhidas as listadas no boletim epidemiológico emitido pelo Ministério da Saúde. Destas, foram incluídas apenas as de notificação compulsória notificados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), que incluem acidentes por animais peçonhentos, doença de Chagas, hanseníase, leishmaniose tegumentar e visceral e raiva. Foram analisados diversos parâmetros sociodemográficos dessas DTNs. Os resultados indicaram que a maior incidência de casos de DTNs no estado ocorreu entre indivíduos de 20 a 59 anos, representando 65,5% dos registros. As doenças mais incidentes foram acidentes por animais peçonhentos e leishmaniose tegumentar. Além disso, municípios como Calçoene, Serra do Navio e Laranjal do Jari demonstraram as maiores vulnerabilidades, com taxas de até 232,8 casos por 5 mil habitantes. O estudo evidenciou que as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) permanecem um grave problema de saúde pública no Brasil, especialmente na região Norte, onde a persistência dessas doenças é significativamente maior do que na região Sul. Por fim, conclui-se para o estado do Amapá, que houve uma sobreposição de diversas DTNs, sendo os acidentes por animais peçonhentos os mais frequentes, seguidos por leishmaniose tegumentar, hanseníase e doença de Chagas. Recomenda-se o fortalecimento da vigilância epidemiológica e das políticas públicas voltadas para o controle das doenças. Além disso, ações preventivas, como campanhas educativas, distribuição de equipamentos de proteção e manejo ambiental, são essenciais para reduzir a exposição de trabalhadores rurais aos vetores e animais peçonhentos.

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ALMEIDA, Eli Carmo de. Distribuição de casos de Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) no estado do Amapá entre 2019 e 2023. 2025. 37 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Ciências Biológicas) – Instituto Federal do Amapá, Laranjal do Jari, AP, 2025.

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