Racionalidade camponesa no uso da terra na Pan-Amazônia (Brasil e Colômbia)

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Esta pesquisa teve como objetivo analisar a relação entre a racionalidade camponesa na sua forma de (re)produção e a sustentabilidade dos seus sistemas de uso da terra praticados na Pan-Amazônia, tomando como referência a colônia agrícola do Matapi, situada no município de Porto Grande, estado do Amapá, Brasil, e a Zona de Reserva Camponesa El Pato-Balsillas, localizada no município de San Vicente del Caguán, departamento de Caquetá, Colômbia (por questões de segurança e da situação de pandemia não foi possível realizar o trabalho de campo em El Pato-Balsillas), em análises que se dão no período a partir da segunda metade do século XX (chegada dos sujeitos no local da pesquisa) até os dias atuais. A tese postulada teve como base o entendimento de que a racionalidade camponesa proporciona a sustentabilidade dos sistemas de uso da terra na Amazônia, o que mantém a manutenção e a reprodução das famílias em seus espaços produtivos e uso da terra ao longo dos anos, promovendo a conservação da natureza e diferenciando-se o grau de sustentabilidade dos sistemas de uso da terra pelas diferentes formas de ocupação e das trajetórias históricas distintas dos sujeitos que chegaram aos espaços rurais da região no período analisado. Os procedimentos metodológicos foram caracterizados por um aprofundamento na análise dialética juntamente com avaliações quantitativas e qualitativas, sendo que para a coleta de dados primários foram utilizados os mecanismos de observação, entrevistas, aplicação de formulários, sondagens e história de vida. Para a avaliação da sustentabilidade dos sistemas de uso da terra utilizou-se de indicadores contemplando um conjunto de análises nas questões sociais, econômicas, ambientais, políticas e culturais, com variáveis que tiveram como referência o marco MESMIS e elementos dos princípios da agroecologia, assim como houve a proposta de construção de índices de sustentabilidade para os efeitos de comparação entre os sistemas nos locais onde a investigação se realizaria. No panorama geral, considerando a avaliação multidimensional, identificou-se que os sistemas de uso da terra praticados na colônia agrícola do Matapi apresentam precariedade de sustentabilidade ou sustentabilidade fraca (índice 0,47). Como avanço de pesquisa, pontua-se a contribuição para o aprimoramento de uma metodologia que visa analisar a sustentabilidade de sistemas de uso da terra na região amazônica, a qual pode ser adaptada às especificidades de um determinado contexto, assim como avanços nas análises sobre a formação, estruturação e consolidação do que denominamos de um novo campesinato na Amazônia, o qual tem suas origens por entorno de meados do século XIX. Diante de tais contribuições e resultados da pesquisa, espera-se que estes se configurem como subsídios para tomadas de decisões em políticas públicas para a região, assim como também auxilie na leitura de situações para além da Pan-Amazônia, pois apresentam fundamentos para discutir a produção camponesa.

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SILVA, Irenildo Costa. Racionalidade camponesa no uso da terra na Pan-Amazônia. 268f. Tese (Doutorado em Ciências) - Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina, Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, 2021.

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